Todo mundo usa internet. É quase certo afirmar isso.
Porém, quantas pessoas fazem da internet um “ambiente” útil? Concordo que muitas coisas para as quais a internet serve têm um certo grau de utilidade.
Para ler notícias, por exemplo. Mais de 50% dos internautas entram na internet para ler notícias. Quer seja nos sites dos próprios jornais e revistas impressos, quer seja na revolucionária imprensa dos blogs.
Muitos usam a internet para se comunicar e para se relacionar. Também é uma forma interessante, e econômica, de utilizá-la. Quanto a isso, não posso me opor.
Existem os que usam a internet para estudar. Sabendo separar o “joio do trigo”, não há dúvida, é uma aplicação relevante para esse repositório quase infinito de conhecimento e informações.
Mas, para o que mais poderia servir esse universo paralelo chamado por tantos nomes diferentes: virtual, cibernético, web, rede, entre outros?
Um empresário de Natal resolveu utilizar a internet para fazer algo diferente: unir pessoas em torno de um objetivo comum, através de um movimento de cidadania. Um exemplar modelo de utilidade!
O que ele fez? Iniciou um movimento dentro do Twitter, denominado Transparência Natal, para reivindicar que a administração pública do nosso município adote o modelo de gestão implementado pelo prefeito Gilberto Kassab, em São Paulo.
Kassab criou o Portal da Transparência. No site é possível ter acesso a toda e qualquer informação sobre como são aplicados os recursos do município.
Existem leis que determinam e estabelecem padrões de publicidade e transparência no uso do dinheiro público. Mas na prática, o que vemos é a utilização sub-reptícia dos impostos que pagamos. Procure saber detalhes sobre gastos públicos e você perceberá como é grande o esforço para esconder do cidadão essas informações.
Kassab mudou isso! Nada mais louvável.
Qualquer movimento a favor da ética e da moralidade é bem vindo. Melhor: qualquer iniciativa que tenha como objetivo o bem coletivo deve ser acolhida e encampada por toda sociedade.
Mahatma Gandhi iniciou um movimento de desobediência civil, pregando a resistência pacífica, para libertar o povo indiano da dominação britânica. Não apenas o povo indiano aderiu ao movimento. Gandhi atraiu uma boa parte do mundo para a sua causa.
Martin Luther King liderou um movimento de massa que contou com a participação de mais de 200 mil cidadãos que seu juntaram para lutar por direitos civis.
No Brasil, ainda esperamos que artistas famosos ou políticos se encarreguem de levantar as bandeiras do povo. É uma passividade bastante conveniente para os que estão no poder político e econômico. Precisamos de líderes sociais em cada esquina, desvinculados de partidos políticos e de grupos econômicos, imbuídos de interesses nobres. É preciso tirar nossa sociedade do coma.
Torço para que o movimento pela transparência dos gastos públicos seja ampliado. Começou em São Paulo. Chegará a Natal? Que outros municípios e instituições vão aderir? Não pode ficar restrito apenas às prefeituras, deve ganhar governos estaduais, autarquias, assembléias legislativas, câmaras municipais, e toda e qualquer instituição que administre recurso público. Nada mais justo e oportuno.
A internet dá voz aos cidadãos. O que se diz lá pode tomar grandes proporções. Em um ambiente como o Twitter, por exemplo, é possível falar diretamente com um deputado federal, uma prefeita ou um governador.
Saberemos usar a internet para fazer algo ainda maior do que simplesmente ler notícias, estudar e conversar com amigos? Saberemos utilizá-la para melhorar o mundo?
Agora é com você. "Quem não luta pelos seus direitos não é digno deles." [Rui Barbosa]
Jornal de Hoje
21 de julho de 2009
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